“Deixe-se corresponder, não se prenda a vazios, nem se sufoque com companhias superficiais, não se faça monocromático se fores extremamente colorido. Se precisar chorar, seja tempestade, mesmo que em copo d'água, nunca se sabe quando estará com sede. Se for pra sorrir seja uma tarde ensolarada no Hawaii, seja a beleza de um lugar cercado por vulcões. Mas agora, se for pra sentir, ah se for sentir! Seja um tsunami, ou um terremoto, seja uma bomba atômica em Hiroshima, sinta, a beleza da flor que é formada da explosão, sinta, todo aquele tremor que desestabiliza cidades inteiras, sinta… Toda aquela água, aquele choro, o desespero e a dor de quem perdeu tudo, de que perdeu o nada que tinha, mas sinta mesmo, perca a razão e a sanidade, porque sentir é isso, destruição, é acabar com tudo que te faz não ser você, agora exploda, trema e evada, não seja alguém do tipo “ontem sofria, hoje sou fria”. Ser frio pra quê? Todo inverno passa, use seus invernos para aprender a sobreviver no verão, entenda que toda estação tem um porquê, e que se não tivesse outono como os animais juntariam alimento pra enfrentar a estiagem de comida do inverno? Deixe-se corresponder, até porque se não há nada ou ninguém, o que, ou quem te prende lá? Aprofunde o seu olhar, seja critico, não julgue um livro pela capa, não seja precipitado, as superfícies enganam. Já parou pra observar um Iceberg? Deixe-se corresponder as experiências ruins, decepções e corações quebrados, pois sempre vão acontecer, afinal “mar calmo nunca fez bons marinheiros”, e outra, quem nunca se maravilhou pelas incríveis histórias de pescadores. E as cores que o mundo tem? Você já viu? O por do sol? O universo? É engraçado quem julga a beleza do preto, e acha o céu estrelado a coisa mais linda, ou até mesmo que julga a bandeira gay, mas aplaude as tonalizações de roxo, verde, amarelo, laranja e vermelho no por do sol. E azul? Azul não conta porque é a cor do céu. Entenda que não julgamos o monocromático, mas o vermelho que se passa por verde sem ser daltônico. Deixe-se corresponder. Enxergue a beleza do mundo, e entenda que tanto o preto quando o branco, no final de tudo, são as misturas de todas as cores.”— Simone era um iceberg, mas quando sentia, era capaz de derreter até o Alaska.
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